Desde pequenininha, se tocava uma música eu saia correndo dançando. Eu dizia para minha mãe ‘Eu quero ser uma grande bailarina.’
Eu disse ao Marquês de Cuevas: Eu não acho justo, o senhor disse que tinha um lugar para mim, cheguei aqui, não tinha lugar, fiquei esperando oito meses, comi, engordei e agora o senhor me manda de volta, eu não vou voltar. Foi assim que eu entrei no Marquês.
Eu estava fazendo uma audição para o corpo de baile, me apresentei no palco e depois me mandaram esperar. Fiquei esperando por três horas, então eles chegaram e disseram que eu tinha um contrato de primeira bailarina. Quase cai dura.
Nós éramos quatro nessa companhia, os favoritos do Cranko, e ficamos conhecidos no mundo como suas inicias. Nós fomos empurrados e formados, até virarmos suas estrelas.
Quando Cranko morreu foi um choque, o público estava lá, mas eu não dançava para o público, dançava para aquele homem que esta sentado lá atrás, de olhos azuis, que me deu tudo.
Nessa época eu quis parar de dançar, mas continuei porque ao mesmo tempo a razão de dançar foi mais forte.
Richard (Cragun) e eu dançamos por 36 anos juntos, desses 36 anos, 16 nós fomos casados. Depois desses 16 anos nos separamos. Foi um momento difícil para nós, mas continuamos batalhando e continuamos dançando.
Quando diziam pra mim ‘ Você é leve como uma pluma, parece que esta voando, que não toca o chão’, claro que eu não tocava o chão, ele tava lá me levantando. Com ele eu não tinha medo de fazer nada.
Eu sempre fui muito orgulhosa de ser um instrumento para o coreógrafo.
Para mim o mais importante é que o bailarino leve o público ao cenário e que emocionalmente eles façam a viagem com você.
Depois da morte do Cranko, eles queriam que eu dirigisse a companhia, mas eu não estava bem emocionalmente. Depois de dois anos eu tomei a direção, a principio, até encontrar uma pessoa para dirigir, mas depois a coisa foi rolando, rolando e eu fui ficando, ficando e encontramos a nossa maneira de ser.
Quando eu era muito jovenzinha, ainda no corpo de baile, quando as grandes bailarinas vinham fazer um espetáculo, a presença delas me dava muito. Agora acho que é o meu momento, depois de uma carreira tão longa, dar esse mesmo sentimento aos jovens bailarinos que me vêem hoje.
A dança não é carreira, se você faz como carreira é só metade, você vive a dança. É uma maneira de viver.