Quando eu apareci na sala de aula pela primeira vez eu tinha 17 anos, meu professor Carlos Leite disse ‘Nossa como você tem talento, tem que estudar a dança.’
Eu fiz a coreografia, peguei uma música de Beethoven, a gente se apresentou no teatro em sua homenagem e ele chegou perto de mim e disse ‘ Mas menino onde que você copiou essa coreografia’ e eu respondi ‘ Eu não copiei, eu fiz a coreografia’, essa foi minha primeira coreografia.
Não fui para Genebra
pensando em fazer carreira de estrela, fui mais para aprender. Devagarzinho, trabalhando muito fui passando para frente, cheguei a solista, depois fui para Colônia, lá já fazia primeiros papeis e em Frankfurt é que me tornei primeiro bailarino.
Mais tarde, eu comecei a sentir um vazio muito grande pós- espetáculo, isso me perturbava muito, então eu resolvi voltar ao Brasil.
Voltando da Europa, quando eu olho para o outro lado da rua eu vi uma pessoa ‘Marika, não é possível’, 10 anos depois a gente se reencontra. Ela estava muito bonita, vestida com um collant meio transparente, eu passava perto dela e dizia ‘Tá querendo conquistar o professor’, realmente ela me conquistou.
Quando nós dançávamos o pas de deux juntos eu me sentia ela, esse é o pas de deux perfeito, o homem é a mulher, ele tem que manejar a mulher, se ele não sabe o que a mulher esta sentindo ele não vai segurar direito.
Nós começamos a buscar no gestual do povo, na literatura, no folclore, no cinema, no musical, na realidade brasileira. Tudo isso foi inspiração para o Stagium aprender a dançar mais em português.
Depois da Barca de São Francisco e depois da apresentação do Xingu decidimos parar de se exibir no palco e começar a dialogar com o público.
O Stagium ajudou as pessoas a enxergar que a arte da dança era possível fazer aqui no país.
Quando um bailarino que sabe a dificuldade de se montar um espetáculo nesse país sobe no palco, ele não sobe só para se exibir.
O sorriso e a alegria das crianças entre 7 e 16 anos é um estímulo tremendo para a gente continuar a viver muito da dança e para a dança.
Nós dançamos muito em casa e vivemos muito no palco. A gente traz a arte para a casa e da casa para o palco.
Ela está entranhada dentro de mim, eu não saberia te disser o que ela significa, a dança sou eu.